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terça-feira, 8 de maio de 2012

das aleatoriedades IX




Em pouco menos de um mês eu recebi notícias do falecimento de duas pessoas muito queridas. De um deles eu falei aqui e o outro está em vários textos do blog, sem nomes, por motivos vários. O que me consolou é acreditar, sem hipocrisia, que a morte foi simplesmente o fim do sofrimento deles. Mentira, tem outra coisa: fiz o possível pra mostrar aos dois o quão importantes eram e, olha, a sensação é de paz. Ainda rola uma poeirinha nos olhos, mas no fim das contas a gente tem que saber perder as pessoas, e é bom que se aprenda rápido.

Há alguns dias finalmente se instalou o som da sala de TV aqui em casa. Desde a mudança que eu só ouvia música no computador e ele nem tem o som mais legal do mundo. Assim que arrumaram os treco tudo, pensei em ouvir meus discos do Mogwai quando estivesse sozinha em casa e isso foi num sábado. No domingo eu acordei, saí do quarto e percebi que tocava uma música do Mr. Beast na sala; ignorei a vontade de ir ao banheiro, fui ver do que se tratava e era minha mãe vendo um filme.
_Mãe, que que cê tá vendo, de onde é essa música?
_Bonita, né? Tava aqui botando reparo, é linda, linda. Tava vendo Criminal Minds.
_Gente, isso é Mogwai!
_Mesmo? Tô gostando. 

MINHA mãe. :D
[No próximo sábado eu assistirei ao show deles e aí falta pouca coisa pra eu poder morrer em tranquila.]


Continuo fascinada pela visão das pessoas. Não pela parte técnica, física, biológica, o escambal, mas por como cada um decide que vai ver a realidade. Vou observando e me espantando, porque sou bocó, com a catarata generalizada, é impressionante.



Outro dia observei que alguns gestos de carinho ou cuidado [não vou usar a palavra "amor" aqui, já que ela tende a ser um pouquinho distorcida] são aparentemente tão pequenininhos que a gente passa por eles sem reparar.
Uma dessas provas de carinho é, sem a menor dúvida, aquecer o pé do outro. Veja bem: quem tem pés gelados costuma sofrer com isso, principalmente durante as noites mais frias; quem os tem quentes não quer perder esse calorzinho e provavelmente ficaria bem puto se fosse obrigado a mantê-los encostados em algo com temperatura próxima do zero absoluto, como é o caso de alguns pés. Sendo assim, se a pessoa com maior temperatura pezal decide de livre e espontânea vontade aquecer os pezinhos menos privilegiados está automaticamente provando que se importa bastante com ela. 

E isso, meuzamigo, apesar de parecer uma besteirinha de nada, não é pouco.


----> Também não é pouco: hoje é aniversário da Tadsh, tigre lindo das nossas vidas e da Andrea, maricota coisa fofa. Feliz dia, suas lindas! \o/



quarta-feira, 4 de abril de 2012

dos filmes



Oi, bom dia com licença, levantem os pezinhos, por favor, que isso aqui anda muito empoeirado, preciso passar esse rodinho-esponja muito sensacional que custou os olhos da cara, mas já foi visto por menos de 20 contos na 25 de Março.
Obrigada pela colaboração. 

Eu sei, é muito tempo e tem um monte de coisa guardada nos rascunhos, mas hoje eu vim aqui falar de coisa boa, vamos falar da iogurteira Thop Therm filmes. A Tati, coisa linda da minha vida, gentilmente me apontou pra fazer um meme [eu gosto de memes, bëygoz] que pede a indicação dos 5 filmes da vida do cidadão. Eu ando meio desligada de cinema há uns... 10 anos, aproximadamente, mas tenho tido ajuda de gente muito linda pra voltar a ver filmes. É claro que eu não fiquei todo esse tempo sem ver um filminho, mas poderia ter ido mais vezes ao cinema. Outro ponto importante nesse negócio é que eu tenho muita dificuldade pra escolher o meu ítem favorito entre vários similares. Não há dificuldade alguma em apontar a mãe, a irmã, ou a afilhada favoritas, escolher uma das avós, por outro lado, já me coloca contra a parede e eu fico meio zonza, começo a suar frio e--
então! Cinco filmes de que eu gosto muito, muito, muito mesmo [em ordem de nada]:



 Always look on the bright side of life 

Assisto esse filme desde que era criança, sem fazer a menor ideia do que seria o Monty Phyton, vejam bem. Tínhamos uma cópia gravada mais ou menos em 1990, num Corujão da Globo.
A história conta a vida desse rapaz seminu aqui em primeiro plano, o Brian, que foi confundido com o Messias, pobrezinho. O mais interessante pra mim é rir das mesmas piadas de que ria quando eu era criança e agora rir de outras. 
Curiosidade: [SPOILER ALERT!] eu achava na cena em que o Brian vai parar numa nave de alienígenas, alguém havia mudado o canal da TV e provocado uma interferência no filme, afinal, é óbvio que na época de Jesus não havia ETs com naves tão modernas. 



é normal ser estranho

Li alguma coisa a respeito dessa animação no G1 e fui correndo baixar. Demorei à beça pra achar, fucei um monte e quando finalmente assisti, fiquei embasbacada. É bonito e dá um choque de realidade na gente, bota a galera pra pensar na vida e ficar triste por uns minutinhos. Definitivamente não é uma animação pra crianças, embora a Luísa tenha gostado bastante. A animação em stop motion conta como uma menininha da Austrália começa a trocar cartas com um cara de Nova York, que acaba virando seu amigo. 




Uuuuh, and that's a bingo!

Esse eu fui ver no cinema, só porque era o Tarantino. Ainda que o filme não tivesse o Brad Pitt fazendo um sotaque sensacional, a alemoa dando show de boniteza, o Eli Roth com cara de atormentado, a Mélanie Laurent mais atormentada ainda, o Cristoph Waltz sendo foda, foda, foda, teria Michael Fascinaçãosbender fazendo cara de lindo todo engomadinho na farda. Convenhamos que isso já vale. Ah, oi, falar sobre o filme? Acho desnecessário, duvido que alguém por aqui não o tenha visto.



Você nunca teve amigo assim!
 
Rasa, infantil, retardada. O filme saiu em 92, numa época em que eu achava simplesmente o máximo ser descendente de árabes. Não me perguntem o porquê. Acontece que eu vi o filme no cinema, foi emocionante, a musiquinha do Gênio me contagiou e até hoje eu assisto e canto danço passando vergonha e sei todas as falas.



  Daffodils! 

Ok, se me perguntam qual é o meu filme preferido, sempre respondo Peixe Grande. É doce, engraçado, bonito e cheio de coisinhas pra gente aprender. Ewan Coisa Linda McGregor faz Edward Bloom, um cara que era um peixe grande demais para o lago em que vivia. O filme é uma coletânea de histórias, que vão sendo costuradas, os personagens reaparecem aqui e ali e as invenções de Ed se misturam à realidade. A fotografia é belíssima e a trilha sonora é ótima e... tem uma música do Pearl Jam feita, segundo Eddie Vedder, a pedido do Tim Burton para os créditos finais [aí um belo dia a gente descobre que ele fez a música pensando no melhor amigo, que tinha acabado de morrer; aí em outro belo dia o hôme canta isso na sua frente, com a voz meio embargada. Beijo pras lágrimas]. Big Fish brinca de ser leve, mas nem sempre é, depende apenas de como se quer ver. Ainda por cima é filme de pai, não posso com filme de pai.
Em tempo: este é o único caso conhecido [por mim] de filme absolutamente superior ao livro.


quarta-feira, 14 de março de 2012

da facilidade



Imagem é algo que sempre me interessou. Tanto a imagem que fazemos de outras pessoas quando a que temos de nós mesmos, a que tentamos passar e, no fim das contas, a que muitas vezes falhamos em passar ou captar.

A conclusão da vez é que, de forma geral, as pessoas não se incomodam muito em observar de verdade e caem no conto da imagem que os outros querem passar. Explico: fulaninha faz voz de menina meiga, fala como uma menina meiga, tem cara de menina meiga, mas é uma cretina. Essa cretina só precisa bancar a bacana um pouquinho, até as pessoas se acostumarem, e depois nem precisa atuar tanto, porque se ela tem voz, cara e jeito de gente boa, por que não seria? É claro que uma ou outra mãe/amiga de quem anda com a cretina vai reparar isso e vai alertar, mas ninguém vai dar atenção. O contrário acontece da mesma forma e me parece ser ainda mais fácil se enganar com alguém que pareça bravo, eternamente irritado ou impaciente. Se o cidadão não sorri o tempo todo, obviamente está sempre de mau humor, né? Não. Seriedade, "braveza", irritação e mau humor parecem estar colados em algumas caras sem necessidade. 
Uma professora perguntou essa semana por que as pessoas acham que ela dá bronca quando está simplesmente falando. Eu suponho - e disse isso - que seja pelo fato de ela ser enérgica, ou incisiva, na hora de falar. Nessa onda não é raro ofender ou magoar, chatear, sei lá, gente mais sensível que, afinal, só não anda com um sorriso falso estampado na cara porque acha desnecessário ficar fingindo por aí.
Acontece que cidadão é meio desatento também. Cidadão não repara que as pessoas são diferentes sem que sejam melhores ou piores, têm apenas outras características. Cidadão entende que sorriso é sempre bom e cara séria é sempre ruim. Cidadão acredita que passar dez minutos por dia com alguém é, necessariamente, conhecer esse alguém de verdade. Cidadão jura que consegue analisar todo mundo sem se dar o trabalho de conversar, de conhecer e, oi, de observar detalhes mais atentamente.
 

Mas até aí, pra quê? Tudo o que você precisa saber sobre uma pessoa tá estampado na roupa dela, não tá? Tá na calça com um desfiado na perna, na camiseta com estampa de caveiras, no sapato rosinha ou no vestido florido. Tá no sapatênis, na gola polo, na camisa de flanelado xadrez e nos óculos. 
Vai lá, campeão. 
Tá fácil.




A despeito do tom, isso não se dirige a ninguém em particular, ok? vlw flw =)

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

das conversas



Luísa, lá com seus 4 anos, altas horas da noite, pede à mãe um caderno da Hello Kitty.
_E onde é que eu vou arrumar um caderno da Hello Kitty a essa hora, Lu?
_Aaaai, mamãe! No caderneiro, né?


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Numa conversa das milhares que aconteciam entre Brasília e Anápolis, um colega nigeriano e eu conversávamos sobre a parte da família dele que não estava no Brasil:
_E eu tenho uma irmãzinha, a caçula, de 6 anos.
_Ah, legal. Cê não sente falta dela?
_Muita. Muita saudade mesmo.
_Ela já frequenta o colégio, certo?
_Não! Cê tá louca?
_?
_Ela só tem seis anos!
*agora com medo de causar um incidente diplomático e procurando a melhor forma de perguntar*
_Mas com quantos anos se começa a ir pro colégio lá?
_Ah, com uns 16, 17...
_Mas, Sayo, você ainda nem tem 20... 16 é muito tarde pra entrar na escol--
_Escola?
_É, uai,
_Hahahaha!
_Oi?
_Desculpa, é você falou "colégio" e eu traduzi "college".
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Domingo passado o Ivanzinho foi me buscar no trabalho e minha mãe me falou que ele disse ser incontrolável. Ele deu uma risadinha e disse que não, momõe pediu pra ele me contar o porquê disso e ele começou:
_É poique [sim, ele fala "é poique" e me mata de fofura, putamerda] ela perde as coisas e fica procurando tudo aí ela perde uma perde outra procura uma uma acha outra perde uma e eu encontro tudo! Então eu sou incontrolável.

Mais tarde fui ensinar ao Ivanzinho e à Lu como se joga Batalha Naval.
_Aí vocês vão tentar adivinhar onde está o barquinho do outro, pra isso vão usar o nome do quadradinho onde vocês acham que o barquinho está. Esse aqui, por exemplo, se chama Bê Oito.
Tudo ia muito bem quando o Ivanzinho [que tem dicção de criança de desenho animado. Ele diz "pocula" e "meu nome é Ifanshinho"] manda:
_Luísa, você tem um barquinho no zê sete?
_hahaha, ai, Ivan! Não tem zê, só vai até o jota.
_Nãaao! Eu tô perguntando se você tem é o zê! 
Momento em que eu entro na conversa pra evitar a fadiga e pergunto que letra é essa.
_É o zê, ó.
_Não é o éss--não, não tem ésse... Será que é o... gente! É o gê? 
_É, uai! O zê!
*corta pra Mayra amassando as bochechas do menino*

A verdade, meuzamigo, é que essa criatura só não sai daqui de casa toda mordida ~é poique~ eu me controlo muito.



E eu uso os dois pra amolecer o coração dos criente. :)

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

das descobertas


Cês sabem que eu tenho uma primafilhada, né? E ela tem uma maydrinha.
A Luluca, pra quem não sabe, é moreninha jambo e tem cabelo muito escuro, muito liso e muito pesado, o que sempre fez as primas retardadas cantarem pra ela, especialmente na hora de lavar a cabeça, "Índia, seus cabelos, índia, seus cabelos, índia, seeeeeus cabelos!", com vozes esquisitas, enquanto bagunçam o cabelo da criança. Acho que só acrescentei a parte do "nos ombros caindo", e só ela, uma vez, vejam só. A reação é sempre a mesma: um risinho e um "páaaaaara, gente! Tia Jaaaane, olhaMayraeaMaysaquifalandoíndiaseuscabelossemparar!" seguido de mais risinhos.
Bom, a moça que cuidava da Lu teve uns pobreminha [aliás, o mundo é um lugar bem bizarro, viu?], precisou se afastar e agora trabalha como diarista. Pois bem, hoje ela veio trabalhar aqui em casa e me contou um lance fofo e engraçado:
Na hora do banho, Luísa pergunta à babá:
_Alessandra, você sabe cantar aquela música [engrossa a voz] "Índia, seus cabelos, índia, seus cabelos, índia, seus cabeeeeelos"?
_Não, Lu, não sei. Que mais que tem na letra?
_É só isso mesmo.
_Mas por que você quer saber se sei cantar essa música?
_Ah, é que minha prima canta pra mim e eu fiquei com saudade.


Ô, gente?
Sério
SÉRIO.