quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

do ano novo




Olha só:
O ano acabou.

Me atrevo a dizer que 2009 foi um dos anos mais difíceis da minha vida, com direito a quase tudo que pode deixar uma pessoa triste. Mas sobrevivi e, vejam, bem, tô quase saudável.
Num rompante de otimismo, faço planos pro ano que tá ali, vestindo fraldas e promete chegar com um pouco de tranquilidade. Já me desliguei da velha história de cor de roupa na virada, então, por favor, quem me vir, não pense que quero isso ou aquilo pela cor da minha blusa - ou vestido, já que não faço ideia do que usarei -, porque o que eu quero, mesmo, não vou dizer pra ninguém. Vai ficar guardadinho aqui, feito semente no solo do cerrado. Depois que pegar fogo e começar a brotar, a gente descobre o que é.


E por mais cafona que pareça, vou brincar de Oscar e agradecer pelo prêmio: a companhia - inestimável, podem acrediter - que a gangue do blog me proporcionou. Os [sor]risos quando tudo parecia querer desmoronar, as lágrimas com comentário mais que bonitos, as sacadas geniais, os novos amigos, os que reapereceram, os que nunca foram embora. Cês fazem meus dias melhores, mais bonitos, mesmo. Cada um com sua cor. Brigada, gente. De verdade.


A outra cafonice é dizer que eu desejo pra vocês um ano bom. Mais leve.
Gostoso feito uma porção generosa de cerejas fescas.






E, doismiledez, fazfavor de chegar dando voadeira nos peito desse aninho de merda.
Grata.






terça-feira, 22 de dezembro de 2009

do natal

 

Olha só:  Ao contrário da maioria das pessoas, ou do que elas proclamam aos quatro ventos, eu gosto do natal.

Gosto mesmo.
Da coisa toda, sabe? Minha mãe deixa a casa toda bonitinha, pendura uns papais noéis mulambos nas portas, um monte de presentes debaixo da árvore toda enfeitadinha e nas duas semanas que antecedem a data a casa tem cheiro permanente de doce gostoso. Quer dizer... o cheiro varia. De manhã é dos doces que a véia faz e, à noite, dos que eu faço. 
Gosto de ajudar a preparar a ceia, de ficar perto das crianças na hora de abrir os presentes [a propósito, minha afilhada pediu, na carta pro Papai Noel, uma boneca pretinha. Comofazprapararderir? hahaha], é sensacional observar as reações delas. Até algumas das infames visitas de natal são boas... tenho uma tia que só consigo ver nessa época e, verdade verdadeira, eu realmente espero a hora de ir lá, é invariavelmente agradável.

Tô cansada de saber da chatice que é quando as pessoas derrepentemente [quá?] ficam legais e passam a amar o próximo e o distante. Essa parte me irrita francamente. E ouvir "Feliz natal!" a cada três minutos, dito de forma automática, por gente nunca dantes vistas nessa vida. Ok, isso beira o ridículo, assim como o formigueiro que viram o centro da cidade, shoppings, galerias e qualquer local que possua algum tipo de comércio. Mas vai... ganhar presente é bom. O damasco fica mais barato agora e, convenhamos, damasco mais barato é a alegria da existência de uma pessoa [se tiver Nutella, então...], junto com ter ouvido Molejão na infância, claro. [Tadsh, te dedico] Além do mais, nectarina. Eu moro numa região onde só se vê nectarina do fim de novembro ao início de janeiro e, oi?, é uma das minhas frutas preferidas. Chester. Cheiro de pinheiro em lugares aleatórios. A cara da minha mãe quando diz do destinatário de um presente "Fulano vai gostar, né?". Por que raios eu não me sentiria bem?


Escrevendo, me ocorreu que natal é basicamente sabor e cheiro pra mim. Não muito diferente do resto do ano, em que mexericas, pitangas ou morangos fazem meus olhos e narizes nariz felizes pela profusão de cores e perfumes ao redor. Mas com cheiros especiais. 

A verdade é que eu desejo pra quase todo mundo um natal bem bontinho, com comidas que agradem, cheiros que tragam alguma lembrança boa, presentinhos bacanas, bebida gelada e uns abraços reconfortantes.

Vai me processar?

sábado, 12 de dezembro de 2009

das verdades



 ... quando, olhando pra trás, percebo que uma das coisas que mais me fizeram mal foi a escolha de evitar demonstrar - acredite: eu evitava tanto quanto possível. Tudo o que você viu foi a ponta do iceberg -  o que sentia e, pra ser coerente com minhas próprias opções, não te ligar no meio da tarde pra dizer "olha, eu te amo de verdade e, se isso for uma doença, acho que nunca vai passar, porque eu te ouço nas minhas músicas e te vejo em cada prato que preparo pra matar a fome, que eventualmente me dói também, ou quando deixo de calçar, se eu for te encontrar, aquela sandália que eu adoro por ser a mais confortável do planeta e você declaradamente detesta." 
Me incomodava tanto, porque em determinado momento eu descobri que no fim das contas o amor é meio que isso mesmo: usar uma sandália um pouquinho menos confortável quando fosse te encontrar.




 







Tattoed all I see, all that I am, all I will be.

das lixeiras



Saindo do trabalho - de uma aula de duas horas e meia! - passei por três lixeiras cinzas enfileiradas, encostadas a um muro. Parei na frente delas e fiquei esperando a seguinte cena:





que, óbvia e infelizmente, não aconteceu.
Por sorte era noite, a quadra tava escura e ninguém deve ter visto uma maluca dando risada na frente das lixeiras do bloco.


 E toda - TODA - vez que eu assisto o clipe de Can't Stop fico imaginando Frusciantes dentro da lata de lixo. Eu abriria a lixeira e ele sairia cantando Aaaah Aa-aahhhh Aaaaaaaaah... Invariavelmente rio. Sozinha, ou com a minha mãe, se ela estiver do lado.

Pensa, gente... cê abre a lata de lixo e vê isso: 






 Seria divertido, vai!


domingo, 6 de dezembro de 2009

de se fazer escondidinho


Prometi, prometi e quase um mês depois solto a receita do infame escondidinho que rolou na casa do Fellipe, lá na cidade grande.

É feito assim, ó:

Você viaja até São Paulo [se já estiver na cidade, beleza, não precisa se deslocar], conhece o Toni e revê o Fellipe. Sai pra andar na cidade, se cansa e na volta passa no supermercado de sua preferência [passamos no Pão de Açúcar, mas só porque foi mês passado. Se fosse hoje, poderíamos ter comprado nas Casas Bahia] e adquire os seguintes ingredientes:

_Uma abóbora média -a da casca verde, stalingrado?
_Um saco de batatas [=D];
_Tomates bem maduros;
_500 g de charque [eu tô chutando esse peso. Compramos dois pacotinhos. Eram de peça traseira, que tem menos gordura];
_Cebola;
_Alho;
_Leite [pode-se usar um pouco de leite de coco junto. Funciona MUITO bem];
_Cheiro verde picadinho;
_Requeijão cremoso;
_Queijo. Muito queijo.

Primeira coisa: demolhe a carne. Se você tem tempo, deixe-a de molho de um dia para o outro, trocando a água de vez em quando. Se não, jogue-a na panela de pressão com bastante água e deixe cozinhar até a carne começar a desmanchar em fiapinhos, saca?

Feito isso, prepare purês -separados!- com a abóbora e as batatas. Aqui é a gosto do freguês. Eu costumo cozinhar os vegetais com casca [por preguiça de descascar antes pra manter os nutrientes etc etc - a água restante dá uma boa sopa depois]. Numa panela grande, faço um refogado de cebola e alho com manteiga ou margarina e jogo a pasta de abóbora, ou batata, que eu previamente pedi pra alguém amassar por mim, que meus punhos podres não me permitem tal esforço, mexo, mexo, mexo, mexo. Sal pra alegrar e, se o purê for de batata, um cubinho de caldo de carne ou frango. Nessa hora, a depender do acompanhamento do purê, uso leite de coco ou leite de vaca [camarão e purê feito com leite de coco formam um casal lindo]. A textura é a que você achar que tem que ser. Mas lembre-se de que vai uma camada de carne e outra camada de purê por cima, então não pode ficar muito ralo.


Agora, a carne:
Corte a carne em pedaços pequenos ou, se estiver bem cozida, desfie. Não precisa ser nazista e deixar a carne minúscula. Numa panela já estão interagindo óleo -ou manteiga-, bastante cebola e um pouco de alho. Jogue a carne lá dentro e deixe refogar também. Acrescente tomates picadinhos [sou absolutamente contra tirar pele e semente de tomates. Acho desperdício e não se ganha nada, na maioria das vezes] e deixe todo mundo ficar amigo lá dentro. Prove o tempero. Provavelmente não precisará de sal. Acrescente bastante cheiro verde e pimentinha calabresa [ou a que você gostar. Eu gosto de calabresa]. Deixe no fogo tempo suficiente pro tomate cozinhar e formar aquele molhinho grosso, lindo, cheiroso e necessário à vida de todos nós, além de não permitir que nossos rapazes tenham câncer de próstata. Depois que o molho deixar a casa cheirando, jogue requeijão cremoso por cima e misture tudo. Acredite em mim: fica bom.

Se tudo correu normalmente, você deve ter isso em cima do fogão:

bonito e colorido assim



Escolha qual dos purês vai por baixo e faça uma linda cama em travessa, panela, prato, vasilha que possa ir ao forno depois e que tenha altura suficiente pra toda a comida que vai lá dentro. Esse foi feito na panela elétrica - ai, que inveja! Sempre coloco o de abóbora primeiro, acho que é porque estou apaixonada por purê de abóbora e a surpresa de vê-lo por baixo do purê de batatas é deliciosa. Ainda que eu mesma tenha feito o prato e tals.

Faça camadas: purê 1, carne...

Um em cima do outro


... purê 2 e queijo. Muito queijo. Eu fui gentil com o queijo branco - já que me esqueci de comprar mussarela - e coloquei o suficiente pra cada um ter sua porção, mas geralmente sou um animal com queijo e coloco muito. Muito, mesmo. Aliás, geralmente uso musssarela e queijo minas ralado. Evito o parmesão porque o prato já tende a ficar um pouo salgado por si só.

Prato montado, leve ao forno pra derreter o queijo e chame a patota que se for gente boa, de verdade, estará na cozinha, ao seu lado, auxiliando no que voê precisar! pra saborear essa delícia mineiro-nordestina do nosso Brasil.

com queijinho a caminho do derretimento, pá!



Come-se bebendo sprite geladíssima, especialmente porque estava um calor sub saariano. Mas houve quem preferisse cerveja.



Na próxima edição da cozinha monstr deliciosa da Mayra: a torta de maçã que frequenta meus sonhos desde que eu era criançapequenaláemanáps!




*Durante a feitura desse escondidinho, foi lançado o botão de retweet do twitter. Não foi, gente? =P

**Minha infâmia não me permitiu escolher uma música que não fosse do Smashing Pumpkins. ;)